segunda-feira, abril 4

De volta ao mar








Hoje eu nem precisei de voz pra escrever
Voz alheia e fina meio que sem saber
Deve ser porque acordei na estrada
Pisei o pé nela e esqueci de escolher parada
Fiz de tudo dessa vez
e sei de quem também fez
O estranho é que a encarei no espelho
Parecia sem noção e aqueles olhos vermelhos
sem nada  a dizer
com tudo a temer
Quanto tempo faz que nao a via
aspirando fria, expulsando o dia
A verdade é que gosto desse mar
de fechar a porta com a chave dentro sem trancar
achar que não posso abrir
sendo q só é preciso voltar lá.

quinta-feira, março 31

...e o teclado me falou de amor.

Hoje eu reparei no meu teclado,praticamente olhei no fundo dos “seus olhos” como nunca antes. Nele há algumas letras apagadas, umas mais que as outras, como as letras A, M, O. Isso me fez pensar em quantas vezes eu usei essas letras - exatamente na ordem em que as apresentei - a intensidade de cada uma, pra quantas pessoas diferentes e se eu ainda usaria com todas essas pessoas. O estranho é um pequeno risco branco indicando que ainda existe uma letra ali e me pergunto: quando se apagaram? Apagaram-se com a Constancia do uso, por que então não se apagaram totalmente? Deixei de usá-las? Deixaram de me perguntar? Deixei de amar?
Reparei também que as teclas estão bem sujas, o espaço que existe entre elas propicia uma gama enorme de possibilidades de uma sujeirinha entrona fazer morada. Insuficiência de limpeza à parte, entre mortos e feridos nem todas estão sujas, as preferidinhas estão totalmente intatas, limpas em perfeição. Pensei do que seria delas sem minhas expressões de amor, qual a solução de minhas perguntas sem essa prova tão necessária, pra que eu soubesse que não estariam limpas se eu não as usasse, ainda. Até que se prove o contrário, o exato se revela no básico. Perceber isso foi um prêmio sem mérito.
“O amor existe quando se tem a quem dar”- K.(resguardado o sigilo da fonte,haha)

terça-feira, fevereiro 22

Ah, o ar.

Tempão que não escrevo. O ano começou e mesmo sendo apenas o segundo mês de seu início, pra mim é muita coisa. Tudo leva a crer que será um ano bem legal. 
Desde a última postagem já nem sou quem fui... Muita coisa mudou, principalmente eu mesma, não a essência, mas meu modo de lidar com tudo e minha visão sobre todas as coisas. Isto não foi o ano de 2011 que trouxe, mas os últimos tempos, até porque não acredito em qualquer tipo de modelagem repentina ou brusca, e sim trabalhada, lapidada. 
Tive a aprovação de duas coisas em que eu queria muito, apenas nos primeiros dois meses do ano, e abri mão de uma delas. Até então eu sabia que havia mudado, mas essa decisão me fez ver o quanto tudo está diferente. E como dói todo o processo, fico me perguntando se a toda obra prima fosse dado voz, o quanto iriam gritar de dor, mesmo sabendo que o resultado é magnífico. A admiração quando se vê a peça já acabada faz querer passar por tudo de novo.
São palavras bem bonitas, depois que se vê tudo do futuro, e talvez eu nem tenha coragem de passar por tudo outra vez, mas o que posso dizer é que eu pedi pra ser moldada, era necessário, eu precisava passar por mais estágios, descer degraus pra subir escadas e valeu a pena.

segunda-feira, julho 12

Ser ou estar, eis a questão

Hoje eu quero apenas ver o ar, respirar mar, estar, estar.
Quero ouvir a janela tocar, no violão sentar e trocar, desfocar, me esgotar.
Nem que fosse pé de caximbo em pleno domingo p ver o boi passar.
Nem que fosse um nada que ver,nem na mente, nem com a vida da gente
de lá pra cá, e ser e estar, se cansar, descansar.
A cada sorriso que cai do olho ou lágrima que cai de molho
Nem sempre há verbo pra rimar
Com tanto ser no conjulgar na razão de complicar.
A cada ser que sou, sou quadrado ao dobrado
sendo rima desdobrada, masculino esgotado.
E mesmo sendo ou estando
estarei aqui, serei aqui e vou ganhando.

quarta-feira, junho 30


A voz é nossa, não dá nem prosa, espero então o sol voltar e a praia invadir o mar ou o mar invadir o ar.

terça-feira, junho 29

Caso algum

A todo tempo montamos uma fortaleza em que é preciso ser grande demais pra ver o que há por trás dos tijolos. É preciso uma escada longa demais pra conseguir atravessá-la e a única coisa que fazemos pra que alguém, que não seja nós mesmos, consiga estar na "nação" proibida é fraudando da maneira mais invadida possível. Sentimos-nos violados por dentro, mas por fora tudo estará na mais perfeita aparência. Nenhum lugar pode se tornar inabitável, não por toda vida... E em se tratando de viver num mundo dividido por populosidade a questão fica ainda mais complexa.
Assim como os príncipes estarão sempre em contos de fadas, as pessoas
capacitadas a entender toda a estrutura de nossa fortaleza também estarão marcando presença em algum lugar do globo; não o terrestre por que esse é quase que sem fronteiras, mas o ocular, dentro de cada retina; prontas a, se preciso for, nos "violar" alma a dentro pra que enxerguemos o quanto precisamos de arquitetos, pedreiros, seja lá o que for, para a construção de algo de valor, nós mesmos.

domingo, junho 6

Ideias de Gênio

Os animais não bebem leite depois de grandinhos, os seres humanos sim, bebem e como bebem, as vezes até misturam com substâncias de nome estranho, uma tal de soda cáustica, mas os animais não os avisaram que não podia ou esqueceram de perguntar. Ah, mas o homem não gostou de saber disso, pior, teve medo que quando os outros também descobrissem não gostassem, como ia ficar a PARMALAT? (e não ficou mesmo). Resolveram então ir contra o faz de conta de alguns teóricos, aceitaram que somos quase que um diamante marron, chamado barro, o mais sofisticado, vivo e inteligente.Como o placar pra os animais ficou de 1 x 0, alguns tiveram a brilhante idéia de desimpatar, UAU, isso é que é espírito esportivo, mas como?
— Que tal provarmos pra eles que somos barro, barro do puro, refinado?
— Mas como? Disse um segundo, barro tem um gosto tão ruim e pra eles não faz diferença.
O primeiro com sua brilhante ideia resolve arrancar dos outros seres vivos aquele a qual o barro é primordial, mas quem? — Eurekaaa, que tal o porco? Diz ele.
—Pra que ele serve? É tão sujo e fedorento sem tempero, huuum sem tempero, repete "a voz da consciencia".
Resolvem então comê-lo, mas esqueceram de perguntar o que vinha no lugar do katchup, uma tênia mal passada ou quem sab um Balantidium Coli. Gostaram tanto da ideia que transformaram o placar quase que invejável (fácil de mais, nem se quer aceitaram que tivesse juiz pra dar cartão vermelho), e partiram pra próxima. Tiraram a minhoca da galinha, gostaram até do rato, das formigas gigantes do tamanduá, e por último, tiraram as árvores dos macacos, foi tudo um sucesso. Soou até um boato que estavam conseguindo acabar também com o telhado dos animais, mas este não era feito de barro, aah mas não era mesmo, era outro tipo de massa, uma mistura de gases aqui, outra acolá e prontinho, lá estava seu lindo teto, mas como é mesmo o nome? Ah sim, atmosfera! Foi quando descobriram que o ambiente em que viviam era o mesmo. E o resto da história? Quem sab depois da COP 16.